Multidão busca sonho da casa própria em Belo Horizonte



Publicado:16/05/2009 08h07


Com as mãos trêmulas, a empregada doméstica Kele Cristina dos Santos Silva e o marido, o auxiliar operacional Romeu Adair Silva, assinaram dezenas de páginas do contrato e realizaram o sonho da compra da casa própria. Nessa sexta, eles foram os primeiros a fechar negócio durante o 5º Feirão Caixa da Casa Própria, no Expominas, em Belo Horizonte. Com renda comprovada de R$ 830, eles conseguiram comprar um apartamento de dois quartos no Bairro Jatobá, na Região do Barreiro, em BH. O imóvel, da Construtora Tenda, custou R$ 54 mil. Como têm renda inferior a seis salários mínimos (R$ 2.790), eles tiveram direito ao subsídio de R$ 17 mil, previsto pelo governo nas regras do programa Minha casa, minha vida, lançado no mês passado. Com isso, a prestação a ser paga pelo casal vai ficar em R$ 172.

“A gente pagava R$ 200 de aluguel. E o melhor é que a minha filha, a Maria Eduarda, já vai nascer na nossa casa própria. Essa é a maior alegria”, afirma Kele. Ela está grávida de quase nove meses e o parto está previsto para a última semana do mês. Para aumentar a alegria, só falta Romeu conseguir um trabalho. Ele está desempregado há 90 dias.

Nessa sexta, o feirão da casa própria foi responsável pela alegria de 211 pessoas, que saíram do Expominas com o contrato assinado. As vendas movimentaram R$ 17,9 milhões. Há 1.301 negócios em andamento, mas falta muito para que a expectava da Caixa, de movimentar até R$ 500 milhões em negócios até domingo às 18h, seja cumprida. Na feira, que tem entrada gratuita e está aberta ao público entre sábado e domingo, a partir das 10h, ainda há mais de 13 mil imóveis à venda, entre novos e usados. Há também 680 unidades da própria Caixa, de inadimplentes, que já foram retomadas na Justiça.

As vantagens de poder fazer uma simulação para verificar o apartamento mais compatível à renda, encontrar o imóvel nos estandes de construtoras ou imobiliárias e já sair de lá com o contrato de financiamento assinado com a Caixa são vistas como positivas. Mas os interessados devem ter cuidado. O presidente em exercício do Conselho Regional dos Corretores de Imóveis (Creci-MG), Paulo Tavares, acredita que a comodidade pode ser boa, mas a compra não deve ser feita sem pesquisa e sem visitar o imóvel pessoalmente. Ele alerta principalmente para as unidades da Caixa, pois muitas estão ocupadas. “Se for para comprar, devem estar ofertadas por pelo menos 30% abaixo do valor de mercado para compensar gastos judiciais”, diz.

No feirão, apesar de haver opções para famílias com renda acima de um salário mínimo (R$ 465), essas pessoas nem sempre conseguem se encaixar nas condições necessárias para a aquisição do imóvel. Foi o que ocorreu com a porteira Solange de Souza e a operadora de Caixa Luciana Flávia Pereira. Elas eram as primeiras da grande fila que se formou às portas do Expominas. As duas chegaram ao local às 23h, na noite anterior. Ficaram sem dormir e aguardaram por 11 horas. Mas não conseguiram comprar o apartamento. “Nosso problema foi a renda. Não tem nada que se encaixe para a gente”, lamenta Solange de Souza.


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